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Se eu errar...

 

- Você errou! Disse-me alguém; não bastasse dizer uma só vez, uma vez mais, julgou este alguém ser necessário dizer:

- Você errou! E, se se retratar mal, bem retratada ficará a sua falha!

Nem sequer, a querer muito, nem sempre consigo retirar da minha vista um pequenino argueiro, muito capaz de desviar a minha visão, logo, nem sempre, ao alcance dos meus olhos está o meu desvio. Se o meu olfato não está falho, por falha minha não é que deixo de perceber o mau odor do meu erro. Se íntegro está o meu paladar, ao meu alcance não está o meu desacerto para que eu possa ao menos sorvê-lo. Se tudo que sei do meu descuido, foi por bem lhe ouvir a voz, não a do meu erro, mas a daquela pessoa que mo lançou ao rosto. Finalmente, entendo que por não contar com nenhum reparo por fazer, a mando de nenhum dos meus quatro sentidos, como poderia contar com o último que me resta, para que eu possa tocar em minha culpa? 

- Que defesa longa com breve segurança é esta sua!  Disse-me aquele alguém, que quis continuar, ou antes, que continuou a dizer-me:

- E o seu sexto sentido não lhe acusa, ou a ele você não se inclina?

Sexto sentido! O pensar, ou a minha consciência? 

- Sim! O seu pensar que se inquieta com o seu erro já feito, desassossega a sua consciência, e em última instância, sua voz dela, a mando desse pensar, quando este íntegro se encontra, está a lhe acusar pelos seus erros.

Se penso que cometi erro, escutar este pensar, não devo deixar para depois, pois, o quanto antes, devo pensar que ele - o meu erro - se por efeito surgiu, causa há de ser, com efeito, por ele - o meu desacerto - acertar mais vezes posso não conseguir; entretanto, se já de início, por consequências que estão por vir, a esperar, não estou; ou se já presentes, a ignorá-las encontro-me, não posso dizer que acertei, mas ao menos, posso dizer que não errei; portanto, em nome do acerto, ou melhor dizendo, por causa de um erro, haveremos de definir quem o cometeu, para que ele - o falho - na falha não se perpetue, ainda que sem o desejar. Se sou eu o errado, errar livremente pela terra, não mais posso, antes de meditar sobre o que fizera, pois já sei: em um momento ou em outro, ao me oferecer seu rosto em brasas, na calada da noite, o sol se disporá a consumir em chamas, a minha consciência.

Qualquer meditação sobre os nossos próprios erros a encontrar nosso foro íntimo, intima-nos, aonde então, se encontrado for este, aqueles serão julgados; entretanto, se erro cometi agora, agora ou depois, o meu meditar pode se fazer, mas por agora, não medito sobre o meu erro, pois em seguida, quero deixar pelas letras, o que resultou de meditações minhas, que há tempo fizera:

““A abrir parênteses, muita vez, quebra-se o texto que carece de reparo, para tanto fazer, subestima-se o raciocínio de outrem, ou remenda-se o nosso próprio que puído fora, a ser assim, sob esta ou essa justificativa, aqui abrirei um deles, e não o farei pela primeira vez, pois vezes por outra, o fizera antes; logo, se necessário for, para conservar o hábito velho, de novo, em algures, fá-lo-ei; pois bem, sem constrangimento, tolere estes que se seguem, pois o faço por minha conta, logo, logo, ou desde já, estou a remendar o meu próprio raciocínio que fora trincado” 

 “O sol quando entende de calcinar a nossa consciência, para bem distante do seu zênite afasta-se, para nos espreitar à sombra da alta noite; assim, quando fora de seu alcance julgamos estar, nos vemos envoltos em chamas”.

Dos parênteses estamos livres, presos ao texto haveremos de estar, assim, voltemos nossa atenção a este.

Se o verbo perpetuar nenhum incômodo nos traz, já estamos livres para errar, ou antes, ao erro sem que o saibamos, já estaremos atados.

Por ser este verbo - o perpetuar - contínuo pelos seus efeitos, tenho que continuar dele falando, pois se não o fizer, sob pena de ser acusado de estar cometendo erro, abortam meu texto, se já não o fizeram eles e você... Contudo, ainda que a mim mesmo faça esta advertência, não temo muito ou pouco temo, pois devo antes pensar que este meu receio é infundado, pois antes que seus olhos alcançassem estas linhas, já as publicara eu, logo, abortá-las você não pode, tão somente, caso queira, aborte sua leitura das restantes linhas seguintes:

No caso de você fizer caso destas últimas linhas acima, desprezando as já lidas letras ou para as próximas não voltando os seus olhos, ainda assim, volto-me ao “perpetuar”.

Perpetuar é fazer durar sempre; sempre, em todo tempo, e em qualquer lugar, é peso contínuo; contínuo incomoda, cansa; cansar nos consome forças, com efeito, nos esgota... Então, se um erro cometo, e por mais uma vez, o repito, prestes estou a perpetuá-lo; para tanto, basta esperar ocasiões que ensejem repetições seguintes; mas, por repetidas vezes, se continuo a errar, sem me ater ao meu desacerto, por não menos vezes, continuamente estou a acertar...

Que confusão dissemina o erro e o acerto, sabemos, quando não, não ignoramos que erro e acerto disseminam confusões! Assim, quando estas não alcançam todo o universo, aqueles atingem as estremas do infinito, logo, elas e eles não se esquecem das letras; não desprezam as palavras, com efeito, atingem os textos.

A confusão que há entre estas minhas palavras que se atropelam, fora inevitavelmente, gerada pela tentativa de dirimir a confusa e essencial determinação da gênese do erro, quando não, em busca do seu genitor, mais confusão criei; assim, se lhe deixo confuso, confuso antes, estivera eu, e continuarei, malgrado ter o propósito de assim não continuar. Para alcançar o meu intento, tudo que fiz, sem o menor desejo de errar, foi tentar em harmonia, juntar letras, que não dão só a mim, esta prerrogativa de se arrebanharem sob o comando de alguém, e sim, a todos que podem por elas se fazer conhecidos; depois, fui formando palavras que a muitos é possível o mesmo fazer, quando para tanto, habilidade têm; finalmente, confesso que contraio responsabilidade unindo-as de maneira adequada, pois estas palavras, que acima formam conjunto eu as tenho como certas.

 

 

PS - Fico-lhe muito obrigado pela sua visita. Se ler mais, ainda que seja por acaso, caso a menos, não farei da sua atenção.


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