Cegos e desgraçados eleitores deste país...

 

 

 

Cega democracia a um povo míope

 

Caso queira, sem qualquer cautela prévia, entre entre as linhas abaixo, visto que estas não sustentam nenhum elação, pois de ilação poética não desejam passar...

 

Entre as várias formas de governo que há, ou seja, entre as bases onde se apoia o Estado para cumprir sua função necessária a garantir a paz, a justiça, e o bem estar aos seus filhos, encontram-se a Aristocracia e a Democracia; esta forma é injusta por forma própria, logo, para não sê-lo, outra morfologia haveria de ter... Já aquela – a Aristocracia – por sua vez, ou antes, a que vez sempre deveria ter, é uma forma que pode ser justa, se da sua gênese não se degenerar... Vejamos então, os seus corpos, o de uma e o da outra.

Ainda que esta tela seja extensa, extenso poderá não ser o seu tempo e curta talvez seja a sua paciência, logo, para não correr desnecessário risco a suscitar a sua dissidência, de forma sucinta, digo que a Democracia é uma forma de governo que a basear nos princípios da soberania popular, através do ato eleitoral, busca a distribuição equitativa do poder, dividindo-o, consequentemente, e sobretudo, controlando a autoridade que o exerce; assim, dúvida não há, a essência da Democracia é a liberdade ao sufrágio universal; a ser assim, a essa afirmação, com atenção, voltemos e votemos, pois somos cento e quarenta e dois milhões de eleitores aproximadamente; digo aproximadamente, uma vez que estanque não haverá de ser este momento, com isso, a prestar um serviço cívico à pátria estão a morrer alguns eleitores parvos, contudo, para que sejam perpetuados os vícios, com todo empenho, em detrimento à nação, outros tantos menores de menor entendimento habilitam-se para entregar seus votos... Mas, saibamos que ainda ativos, entre nós, há também, aproximadamente, treze milhões de títulos nas mãos de mentes iletradas, e vivas há ainda mais vinte milhões que estão a decodificar mal os signos alfabéticos, com efeito, maior dificuldade têm para conceber ou interpretar os anseios administrativos do nosso Estado; por consequência, esses e aqueles formam um contingente de trinta e três milhões de eleitores funcionais, ainda assim, ao nosso lado, às urnas querem ir, ou antes, às urnas são conduzidos...

Neste momento, por imposição deste texto, abro um primeiro parêntese, que ao se justificar, justificará um segundo, ou até outros, caso necessários sejam; vejamo-lo:

“A abrir parêntese, amiúde quebra-se o texto que julgamos carente de reparo; e ao fazê-lo, muita vez, subestima-se o raciocínio de outrem, ou remenda-se o nosso próprio que fora puído”; sob esse, e não sob aquele efeito, é feito aqui, por ser necessário, um remendo. Entre estas letras, o faço pela primeira vez, mas, já o fizera antes em outros lugares; e caso seja imperativo, para conservar o hábito velho, de novo, em algures, fá-lo-ei. Pois bem, sem constrangimento, tolere este parêntese que se segue, pois o faço, por minha conta, logo, logo, ou desde já, estou a remendar o meu próprio raciocínio que fora trincado.

 “... às urnas querem ir... Cegos e desgraçados eleitores deste país... Não sabem que tanta desgraça causam quando às urnas querem ir, pois ignoram que: “Aliud est velle, aliud posse”, ” Umacoisa é querer, outra é poder””.

Continuemos, mas, fora dos parênteses:

Pergunto-te:

Podemos instaurar neste nosso Brasil, uma Democracia?

Poupo o teu tempo, ou atalho o teu raciocínio, e respondo em teu lugar, pois, sensato que és, sensata haverá de ser a tua resposta, que diferente da seguinte, não haverá de ser:

Sim! Podemos fazê-lo, mas, para tanto, antes cancelemos aqueles trinta e três milhões de títulos eleitorais que nas mãos dos eleitores funcionais* estão, com efeito, são ineptos a votar, pois às cegas, tendem a eleger candidatos faltos da luz; e a continuar o expurgo, entre os cento e nove milhões de eleitores restantes, há não menos que oitenta milhões corruptos por natureza ou limitados mentalmente pelos próprios caracteres genéticos que detém em si, logo, haveremos de excluí-los também. Aqueles – os corruptos – são os mais nefastos à estrutura administrativa de uma nação, pois fazem do voto uma moeda fortíssima e ambivalente, visto que tanto pode ser usada para vender a dignidade de quem a dispõe, e a um só tempo, comprar a honra de quem a recebe; Após esse procedimento matemático – o grande expurgo – que das quatro operações, tão somente da subtração dependeu, à procura do que somar, voltemos à pequena fração de vinte e um milhões de eleitores que para se qualificar à arte de votar, ainda carece de mais uma necessária avaliação, qual seja deverão demonstrar inequívoca disposição para se voltar ao bem estar do seu povo em detrimento de quaisquer interesses pessoais seus; em seguida, impeçamos de forma incisiva ou até coerciva, que tenham acesso aos cargos públicos, os pretensos candidatos que naquelas desqualificadas frações de eleitores, tiveram suas origens, ou seja, impeçamos com toda veemência, o ingresso de candidatos aos cargos públicos, que estão entre os eleitores funcionais, ou têm a natureza corrupta, ou ainda, por natureza, são estultos; depois de lhes impor essas necessárias, compulsórias, e irrevogáveis sanções, com o intuito de ainda mais aprimorar o sufrágio, haverá der ser fatorada em unidades de milhares o remanescente daquela dita pequena fração; feito isso, esta conclusão alcançaremos: entre as centenas de unidades de milhares obtidas, ao fim que se anseia, devem ser dez prezadas**, e desprezadas, inexoravelmente, as demais restantes. Finalmente, depois de desgastados por tão árduo trabalho – o de excluir dos pleitos eleitorais, os néscios, e deixar proscrito da vida pública, o candidato falaz que aos seus eleitores, ainda que se apresente diserto, de certo quase nada tem a oferecer a um povo carente que somos – tão somente nos resta descansar sob o manto da utopia, enquanto aguardamos que a justa e desconhecida Aristocracia tome o espaço da injusta e fratricida Democracia. Se isto se desse, a nossa nação esmorecida pela falta de justiça encontraria a paz social...

 

* Eleitor funcional é antes, um analfabeto funcional, pois, embora seja capaz de decodificar os numerais e as letras; com dificuldade, o faz com o que lê, com efeito, os textos que lhe são apresentados, ainda que simples e curtos, à longa confusão o levam, logo, esse leitor, não desenvolve habilidade de interpretação desses textos, a ser assim, e lamentavelmente, com frequência, ou até sempre, assim é, esse eleitor, por conveniência imperdoável, através uma injusta forma de governo – a democracia – recebe, ou antes, é posto em suas próprias mãos um título eleitoral. Tal pessoa, ora chamada eleitora, por ser acometida por uma específica desnutrição crônica, qual seja falta-lhe cultura, especialmente, a cívica, não pode levar à urna o seu próprio voto; assim, este indivíduo – o eleitor funcional – mal funciona em detrimento de uma nação inteira.

 

** Depois daquele formidável, legítimo e necessário expurgo, um contingente que contem dez mil eleitores, por ter sido formado a contento, contenta a instituição de um colégio eleitoral hábil e suficiente para substituir aquele colossal e insignificante número de eleitores primários.

 

PS – Sobre o que acima fora dito, posso receber a sua opinião, mas, se quiser fazê-lo agora, tenha paciência e espere por algum tempo a mais; caso, continue disposto a me dar ouvidos, brevemente, falaremos sobre Aristocracia. Caso, não almeje essa justa forma de governo, ainda que eu não o deseje, de uma só feita, uma desfeita, ao menos, hei de suportar...

 

 

PS - Fico-te muito obrigado pela tua visita; se leres mais, ainda que seja por acaso, caso a menos, não farei da tua atenção.

A solução Final

 

 

“O que a Natureza faz de forma cega, lenta e impiedosa o homem deve fazer de maneira previdente, rápida e bondosa”

Francis Galton

 

Preâmbulo

 

Por conta deste texto, após lê-lo, alguém poderá dizer ou pensar:

– Você está a ficar demente!

Por este dizer, para quem o fez, nada tenho a dizer, pois, há aquele que diz antes de pensar... Por este pensar, ainda que fora só para satisfazer a necessidade da necedade própria, de igual forma, nada penso a respeito, pois a pensar tão mal, estão os néscios... Entretanto, apenas aos poucos que podem pensar – pois, a dispensar os muitos que não podem fazê-lo, estou – faço esta advertência:

Caro leitor, por conta deste texto, de imediato, não me contestes, testa antes a tua capacidade de aprender e apreender; se reprová-la, por ti, lamentarei, se aprová-la, ainda assim, dispensar-te-ei de fazer comentários sobre o dito texto...

 

Vamos ao principal:

 

– Há maior gáudio àquele que está a sorver o que já solvido fora pelos sábios?

Não, não há! Pois se houvesse, não seria o verbo solver o mais bem sorvido entre todos os outros pares seus, quando se deseja usá-lo para expressar o fim de alguma pendência... Sem nenhuma dúvida ele é o mais adequado, pois, se se deparar alguém com a sua etimologia – a do verbo solver – dê a ela crédito, pois, em seguida, com facilidade, através dela, chegar-se-á à palavra solução... De pose desta palavra, faço esta confissão: entre outros desejos meus, há um em especial qual seja só ver o solver na sua acepção de solução anteceder a palavra final, para talhar esta locução: Solução final.  O entendimento da essência desta locução, não depende de mente brilhante, pois se demente não for esta ou aquela pessoa, poderá ser iluminada por esta junção de duas palavras: Solução e Final...

Sem mais nenhuma mora, voltemos a nossa atenção à Solução final, mas não àquela que às voltas andou com o mundo ao passar pelas mãos de Reinhard Heydrich**, pois, por este execrável ente humano, foram empregados abomináveis meios para alcançar um nobilíssimo fim qual seja depurar a espécie humana através da solução finalFim nobilíssimo, disse eu, mas, jamais buscaria alcançá-lo, sem antes reiterar e ser mais explícito, ao dizer: pela vital e indubitável necessidade do ente humano doente de ser curado, acurados devem ser todos os seus caracteres, portanto, para tanto, só há uma maneira, qual seja aprimorar o patrimônio genético da humanidade. A este expediente podemos dar este nome, A solução final; e com este nome comungo inteiramente, e o faço até com singular alegria, uma vez que com tal sentimento, não me encontro só, pois não há esclarecida e sensata pessoa que não possa fazê-lo de imediato e de bom grado.

Para assim agirmos, se faz necessário que nos eximamos – aquelas pessoas adeptas da Solução final e eu – de quaisquer pudores por mínimos que sejam, pois tão somente estamos a considerar a aplicar o modo único e eficiente por excelência, que nos enseja a mãe da solução final, a Eugenia; ciência ímpar, através da qual, a seleção genética aplicada às pessoas haverá de depurar a sociedade, ora quase que inexoravelmente eivada. Quando dou à sociedade o adjetivo eivada, não o faço indevidamente, não exagero, pois, sem dúvida, a sociedade estamos degenerados; por esta catástrofe, a responsabilidade é do ente humano, que doente tornou-se, entretanto, não há pena para lhe imputar, devemos antes, tolerar estes enfermos, contudo, não haverá de ser uma tolerância passiva e duradoura, pois, necessária se faz a responsabilidade que temos de atenuar, quando não erradicar as consequências daquela decadência humana.

Antes de caminharmos, de forma explícita, à Solução final, consideremos o seguinte aforismo:

Todas e quaisquer manifestações vitais se expressam necessariamente, fundadas em um legado genético”; em seguida, busquemos em nossas mentes de onde jamais haverá de sair, a seguinte verdade: “Aquele que é o Ser, é o supremo valor absoluto e perene que há, e logo abaixo Dele, está a vida humana, em qualquer estádio que esteja a se manifestar”. A ser assim, antes que a aplicação da Eugenia seja consuma, consumir, de forma radical, com o ideal nazista se faz necessário, pois para evitar que o mundo se mate, matar pessoas que o compõem, é prática inconcebível...

Fundados nesses seguros pré-requisitos expostos acima, não hesitemos: para que este projeto em pauta – a materialização da Eugenia – alcance o seu êxito pleno, ao ente humano, não será necessário fixar caracteres desejáveis tais quais: quociente de inteligência elevado, cor dos olhos, e tantos outros mais, que menos importância ainda têm, ainda que vistos por olhos de quaisquer cores... Assim, basta que se extirpe da sociedade os vícios que a coroem, pois o tempo urge e ruge...

De que forma tão essencial empresa, se expressar pode?

Para que tal se dê, basta impedir que entes humanos degenerados se perpetuem; para que esta imposição seja incisiva, e irrevogável, basta comprovar antes a  capacidade que a possível prole daqueles entes  tem para carrear caracteres gênicos que enceram em si os vícios herdados dos seus genitores; de outra forma, podemos deixar no lugar desta resposta – a que acima está – uma outra com palavras diferentes, mas de igual valor, qual seja basta que nos atenhamos a um especial e determinado momento, quando uma mulher afirmar: Da mihi liberos!* Diante desta afirmação resoluta, quando não coerciva, faremos com que essa mulher ponha no lugar de sua asserção a seguinte interrogação: eu posso gerar filhos? Que fique esta interrogação não por muito tempo às solta, aguardando a sua respectiva resposta, pois esta carece de tempo para se materializar, portanto, para tanto, far-se-á necessária uma criteriosa avaliação da graça genética*** do casal composto por essa mulher.

Por termos sempre em mente que – Aliud est velle, aliud posse – (Uma coisa é querer, outra é poder) qualquer que seja a resposta que aquele casal está a aguardar, não lhe trará constrangimento, nem mesmo por um instante, pois, bem ele que não “nos escolhemos” (perdoe pelo uso indevido desta forma reflexiva aplicada a este verbo: escolher), e se “nos construímos” (dê-me repetido perdão, pois, repetido pecado cometo), o fazemos tão somente, à custa das ferramentas que recebêramos, e outras tantas de natureza diversa que adquirimos.

Se devo explicações pelo que dito já fora, quero fazê-lo o quanto antes; então, escute-me, se não lhe está esvaída a paciência:

Se inclinarmos à consciência sã que ereta haverá de estar sempre, dela, inevitavelmente, ouviremos: “A humanidade, de melhora urgente carece; carece de especial qualidade, qualidade especial para a nossa espécie própria, que só será legada por nós, se melhorarmos o patrimônio genético da nossa prole”. Dito já fora, não basta só o querer, pois este só se torna efetivo e suficiente, se for antes submetido ao poder. Veja um exemplo para este período - não para este que está em curso, mas, àquele que está incurso nesta página, imediatamente antes da primeira “Veja” que figura neste parágrafo: Se algum casal deseja gerar filhos, e para tanto, um bom legado genético não detém em si; por não tê-lo, não terá nenhuma culpa, ainda assim, gerá-los, definitivamente, não poderá.

Se estamos a ser objetivos, dos subjetivos caracteres que compõem a nossa graça genética, falemos; falemos apenas dos desejáveis, pois os indesejáveis ainda que não nos sejam necessários, sobremodo, por não poucas vezes, em nós se destacam, portanto, para o momento, ignoremo-los:

Cor dos olhos, cor da tez, timbre de voz, textura do cabelo, e outros vários caracteres objetivos e essenciais aos seres humanos, são, indiscutivelmente, notados e herdados dos seus pais; mas, quanto aos subjetivos – os caracteres – não os notamos com os olhos, entretanto, não com menos importância, compõem aquela dita graça que deles – dos nossos pais – recebemos, tais quais, inclinação à música, gosto pela matemática, carinho voltado às letras, “olhos” que se voltam à justiça, “espírito” solidário, enfim e sobretudo, disposição para cultivar os valores absolutos e perenes que fundam a sociedade que estamos a fundar, e tantas outras et cætera possíveis, ainda que imaginadas não possam ser.

Após o encanto e o encontro promovidos pelo amor – ainda que “aleatória” seja a junção dos nossos gametas – pode resultar em olhos verdes a iluminar a face de um dos nossos filhos, entretanto, não percamos de vista: os olhos verdes não veem cor diferente nas cores vistas pelos olhos castanhos... Contudo, se ao nosso filho faltar o legado genético a sustentar a inclinação ao bem que ilumina o caminho dos seus descendentes, inválidos, quando não danosos à sociedade, serão seus filhos e netos nossos; ainda que assim seja, nada diferente será quanto ao direito que ele, o nosso filho tem à paternidade, pois, embora porte ele um deficiente, e naturalmente, impróprio material genético para gerar uma boa prole, estará à sua disposição outras formas diferentes da natural, através das quais ele preservará o seu necessário direito de ser pai.

As formas são simples, entretanto, ao alcance de poucos casais estão; poucos não são todos, e poucos para completarem o todo, dependem de muitos, logo, há muitos casais que não conseguem ser pais, ou antes, não podem ter filhos, entretanto, nos dias de hoje, há doze maneiras para obtermos tal êxito; nos dias de amanhã, outras tantas poderão haver.

Ei-las abaixo, as doze formas através dos quais, podemos ter filhos. Antes de vê-las, saiba que a primeira delas é fisiológica, é a natural, entretanto, à Natureza é a que mais, habitualmente, causa danos, se não perenes, por anos a fio, estendem as suas consequências nefastas, pois resultam de relações sexuais inconsequências, que se fundaram, tão somente em um caráter hedonista.

Agora sim! Vejamo-las, mas, mais uma vez antes, vejamos este preâmbulo:

Se um determinado casal de pessoas, deseja se tornar pais, haverá de satisfazer dois pré-requisitos necessários (veja que este adjetivo, pela sua força intrínseca, impõe a si, diante do substantivo qualificado por ele, dois outros adjetivos, quais sejam deve ser ele absoluto e indispensável) para que a sua função se torne plenamente efetiva.

Vejamos aqueles dois pré-requisitos:

A)   Cada cônjuge, individualmente, haverá de ser portador de uma graça genética digna de ser legada às gerações vindouras.

B)   Tão logo seja o concepto dado à luz, os pais como tais, hão de ver neste novo ente humano, um filho, e como tal, hão de educa-lo. 

Agora sim, vamos adiante com as doze maneiras:

A - Através da forma natural, ou seja, através de relação sexual, um determinado casal pode gerar um novo ente humano, em seguida, tão logo este seja dado à luz, poderá encontrar neste casal, seus pais, caso como tais, estes possam assumi-lo.

B - Pode de um casal, o esposo dispor do seu sêmen, e através de inseminação artificial fecundar um dos óvulos da sua própria esposa; ao resultar a geração de um novo ente humano, tão logo este seja dado à luz, poderá encontrar naquele casal, seus pais, caso como tais, estes possam assumi-lo.

C - Um determinado casal, a dispor dos seus próprios gametas, ou seja, espermatozoide e óvulo, através de fecundação in vitro, poderá fazer com que seja implantado no ventre da própria esposa que compõe este casal, o ovo gerado por este método; ao resultar a geração de um novo ente humano, tão logo este seja dado à luz, poderá encontrar naquele casal, seus pais, caso como tais, estes possam assumi-lo.

D - Um determinado casal, a dispor dos seus próprios gametas, ou seja, espermatozoide e óvulo, através de fecundação in vitro, poderá fazer com que seja implantado no ventre de outra mulher o ovo gerado por este método; ao resultar a geração de um novo ente humano, tão logo este seja dado à luz, poderá encontrar naquele casal, seus pais, caso como tais, estes possam assumi-lo.

E - Um determinado homem, que compõe um casal, pode dispor do seu sêmen, e através de fecundação in vitro, fecundar um óvulo de uma determinada mulher; a ser a receptora do ovo a sua própria esposa, ao resultar a geração de um novo ente humano, tão logo este seja dado à luz, poderá encontrar naquele casal, seus pais, caso como tais, estes possam assumi-lo.

F - Um determinado homem, que compõe um casal, pode dispor do seu sêmen, e fazer com que através de inseminação artificial seja fecundado um óvulo de uma determinada mulher; ao resultar a geração de um novo ente humano, tão logo este seja dado à luz, poderá encontrar naquele casal, seus pais, caso como tais, estes possam assumi-lo.

G - Um determinado homem, que compõe um casal, pode dispor do seu sêmen, e através de fecundação in vitro, fecundar um óvulo de uma determinada mulher; a ser a receptora esta mulher ou qualquer outra que se disponha a fazê-lo; ao resultar a geração de um novo ente humano, tão logo este seja dado à luz, poderá encontrar naquele casal, seus pais, caso como tais, estes possam assumi-lo.

H - Uma determinada mulher, que compõe um casal, pode receber através de inseminação artificial o espermatozoide de um determinado homem; ao resultar a geração de um novo ente humano, tão logo este seja dado à luz, poderá encontrar naquele casal, seus pais, caso como tais, estes possam assumi-lo.

I - Uma determinada mulher, que compõe um casal, pode dispor do seu óvulo, e através de fecundação in vitro, a usar o espermatozoide de um determinado homem, gerar um ovo fértil; a ser receptora essa mulher; ao resultar a geração de um novo ente humano, tão logo este seja dado à luz, poderá encontrar naquele casal, seus pais, caso como tais, estes possam assumi-lo.

J - Uma determinada mulher, que compõe um casal, pode dispor do seu óvulo, e através de fecundação in vitro, a usar o espermatozoide de um determinado homem, gerar um ovo fértil; a ser receptora outra mulher; ao resultar a geração de um novo ente humano, tão logo este seja dado à luz, poderá encontrar naquele casal, seus pais, caso como tais, estes possam assumi-lo.

K - Um determinado casal, a dispor dos seus próprios gametas, ou seja, espermatozoide e óvulo, através de fecundação in vitro, poderá fazer com que seja implantado no ventre de outra mulher que compõe um casal, o ovo gerado por este método; ao resultar a geração de um novo ente humano, tão logo este seja dado à luz, poderá encontrar neste último casal, seus pais, caso como tais, estes possam assumi-lo.

L - Finalmente, Um determinado casal poderá adotar uma criança, e esta poderá encontrar neste casal, seus pais, caso, como tais, estes possam assumi-lo.

Vê! São doze as formas para se alcançar a maternidade e/ou a paternidade, porém, se nos ativermos ao legado genético que os filhos obtidos através delas, recebem, notaremos que pelas formas “A”, “B”, “C”, e “D” resulta indistintamente, entre elas, um só padrão genético, ou seja, de cada forma distinta, obteremos sempre filhos biológicos do casal que lhes legou o seu patrimônio genético. Quanto ao padrão genético, através das formas “E”, “F”, e “G” obteremos indistintamente, entre elas, filhos biológicos que carreiam apenas o legado genético do seu genitor. Já através das formas “H”, “I”, e “J” obteremos indistintamente entre elas, filhos biológicos que carreiam apenas o legado genético da sua genitora. Finalmente, através das formulas “K” e “L”, de forma distinta entre elas, obtêm-se dois legados genéticos independentes entre si, pois cada indivíduo gerado por uma ou outra entre essas duas maneiras, carreará o legado genético de seus genitores biológicos, ainda que estes, seus pais não serão.

Nota!

Está esta importante conclusão a nos conduzir a outra não de menor valor, qual seja através das doze maneiras que há para nos tornarmos pais, não mais que cinco há para “diferentes” filhos termos; E para realmente, tê-los diferentes daqueles que não podemos ter, por deficiência do nosso patrimônio genético, quando deficiente for só o da pretensa mãe, terá esta, diante de si, até cinco outras maneiras de se realizar plenamente dentro da maternidade. De igual forma, se a deficiência for do esposo, por conta do seu deficiente patrimônio genético, terá este, diante de si, também cinco maneiras de se realizar plenamente, dentro da paternidade. Já quando mãe e pai conduzem ambos, cada um por sua vez, patrimônio genético indesejável, com efeito, não recomendado para ser transmitido às gerações futuras, terão eles - se se formarem um casal que almeje ter filhos - duas formas para obtê-los, e caso, assim o faça, plenamente se realizará como pais, ao criar seus filhos.

Vê! Para nos oferecer o dom da maternidade e/ou paternidade estas formas requerem tempo, no mínimo de nove meses, contudo esta última - a adoção - pode demandar poucos dias para se concretizar, pode até nem mesmo ultrapassar nove horas...

Conclusão - Se tu leitora, estiveres entre os poucos que podem ser mães ou pais, haverás de compreender o significado das várias palavras aqui grafadas, sobretudo, o do verbo criar; a ser assim, não permitirás que ele se conjugue em uma estreita comunhão com o verbo conceber.   

Aquele que tem bons olhos, não importando a cor, que veja bem estas minhas palavras; caso não os tenha, que fique sem reproduzir...

 

* Da mihi liberos! - Dê-me filhos!

 

** Reinhard Tristan Eugen Heydrich - foi oficial nazista de alta patente. Nascera em Halle an der Saale, no dia 7 de março de 1904, e faleceu em Praga, no dia quatro de junho de 1942. Foi um dos líderes da Schutzstaffel durante o regime nacional-socialista na Alemanha; alcançou o posto de Obergruppenführer dentro da SS, a temida tropa de choque nazista; mas, mais se destacou por ter sido um dos principais arquitetos do Holocausto e principal planejador da “Solução Final”. Tão bem se portou no exercício destes seus empreendimentos, que se reportava diretamente ao Führer.

 

*** Graça genética - Aqui cunho este termo, para ocupar o lugar de patrimônio genético (= Genótipo) dado por Deus a cada filho Seu, no momento exato em que este é concebido.

Decompor, analisar e qualificar este patrimônio é prerrogativa da ciência. Nos dias de hoje, tal empreendimento não se dá de forma plena, mas, porvir, que por vir está próximo, de maneira plena será consumada essa nobilíssima tarefa. A ser assim, será possível desprezarmos aquelas “graças” que desgraças em potencial, enceram em suas estruturas génicas, tais quais: violência se sobrepondo à paz, a corrupção ocupando o lugar da honestidade, a indolência tomando o espaço do trabalho, as trevas da ignorância ofuscando a luz do saber, et cætera, et cætera, e outras tantas et cætera que este espaço possa conter...

 

PS¹ - Sou cristão! Cultivo entre outros valores absolutos e perenes, um especial – que só abaixo do valor Deus está – denominado VIDA. A ser assim, não concordo com nenhum meio que possa feri-la, entre eles estão o aborto, a eutanásia, a discriminação do ENTE HUMANO, baseada em quaisquer justificativas. Finalmente, não aprovo quaisquer outras manifestações possíveis que atentem contra ela – a VIDA – ainda que no momento, não posso imaginá-las existentes.

 

PS² – Por fim, a encerar este texto, sem dar termo à sua essência, ou seja, a SOLUÇÃO FINAL, deixo esta última reflexão, sublinhando uma possível consideração advinda de algum doente ente humano:

Há pessoas – e são muitas – que ao ler o dito texto, dirão:

– Cercear o direito de alguma pessoa que queira se reproduzir por conta própria, é utópica loucura!

Para contestar veementemente, esta afirmação, faço a seguinte interrogação:

Pode um casal viciado, ou antes, carreador de vícios, impingir à sociedade, a convivência danosa com objetos abjetos, quer sejam inanimados ou animados, resultantes de sua espúria união?

 

PS - Fico-te muito obrigado pela tua visita; se leres mais, ainda que seja por acaso, caso a menos, não farei da tua atenção.

 

Não se pode mudar a natureza*

 

 

Vê! Para que o texto que se lê abaixo, se torne mais veraz, não usei nenhum signo diverso, só letras, logo, soletra-as, se és capaz; caso não possas, ou não queiras fazê-lo agora, quando puderes, lê-lo-ás ou leiloa-as entre os semelhantes teus, desde que estes, ao menos, saibam soletrar... 


“Ninguém é mau por sua vontade, mas o mau torna-se mau por alguma depravada disposição do corpo e por um crescimento sem educação, e essas coisas são odiosas a cada um e lhe acontecem contra a sua vontade”.

 Platão

                                                 

Todas e quaisquer manifestações vitais se expressam necessariamente, fundadas em um legado genético. Todas e quaisquer ações educativas oferecidas ao educando, consistem em ferramentas associadas às suas subsequentes orientações de como usá-las; desejando recebê-las, esse ente humano que em formação está, se tiver mãos apropriadas para apreendê-las, tornar-se-á apto para manuseá-las; evidentemente, para a formação desse educando, externos à estrutura gênica que o compõe, outros fatores contribuem; contudo, esses se farão notar em apenas três momentos únicos e distintos da sua vida, quais sejam  durante a sua vivência  – a do ente humano  –  no espaço intrauterino, primeiro espaço que o envolve; nesse meio, esse ente, ainda que ciente não esteja – é o que se julga – está sob influências epigenéticas, e seus efeitos se farão notar, sobretudo, depois que ele – o ente – seja dado à luz; ainda há, entre esse espaço e o outro – aquele onde se encontra a luz – interações, sobremaneira importantes, que cometerão aquele ente que por nascer ainda está; por fim, quando do seu nascimento, o ente humano ao alcançar o seu maior e definitivo espaço, estará sujeito a influências maiores e de toda sorte, pois nesse meio, o nato haverá de receber aquelas ferramentas, apreendê-las, e aprender a manuseá-las; esta sequência a envolver essas ferramentas será necessária e contínua à vida do ente humano em formação, até o seu último momento, antes que ele não mais possa sustentar o seu próprio viver. A ser assim, esse ente, no decorrer de toda a sua vida, e a cada momento, julgando-se apto para se tornar pessoa, haverá de encontrar ao seu dispor, matéria prima, que necessariamente, deverá ser posta ao seu alcance, para que ele tenha êxito na consecução do seu trabalho, ou seja, na consecução do seu auto-projeto-homem, não obstante, esse projeto inexoravelmente, inacabado haverá de ficar, uma vez que desde a sua concepção todo e qualquer ente está a ser, e em nenhum momento de sua existência, deixará de fazê-lo...

O que constitui o cerne do ente humano, naturalmente, deve ser entendido por sua essência; essência dinâmica haverá de ser, pois ele está sempre em “movimento”; movimento, que entre outros efeitos, inevitavelmente, enseja interação entre o agente que cindiu a sua estática – própria ao ente vivo – e o próprio meio onde ele se encontra; por conseguinte, sob tais efeitos, estamos todos nós; contudo, os resultados dessas interações são sentidos, interpretados, e apreendidos sob reações singulares de cada um de nós que está envolvido nessa dinâmica; a ser assim, seguramente, podemos afirmar que as nossas reações às influências que nos impinge o meio externo – o nosso habitat – uma vez que são também expressões vitais, invariavelmente, fundam-se naquele mesmo substrato genético inerente a cada indivíduo vivo; logo, tenhamos em mente: o útero materno é o nosso primeiro espaço que se conforma com a definição de habitat, entretanto, por ser provisório, importância menor não haverá de ter, pois, se por ele não passarmos bem, mal seremos conduzidos durante a nossa estada em nosso último e definitivo meio, qual seja o meio aonde nos encontramos ao lado dos nossos semelhantes, com os quais, nos interagimos na partilha de um maior e absoluto meio que ao meio jamais se divide, pois, trata-se do Universo.

Veja! Esses parágrafos acima dispensam complemento, pois encerram asserções que expressam axiomas, logo, ainda que sucintos, não suscitam contestações, contudo, vez por outra, por imposição semântica, podem clamar por maior clareza, ou antes, uma ou outra pessoa, pode exigir que essas verdades sejam postas mais às claras... Ainda que isso se dê, àqueles que tais reparos exigem, por não ter eu o desejo e a necessidade de fazê-los, não irei além deste ponto aonde cheguei, fico por aqui, mas, mais poucas palavras, ainda deixo abaixo:

 

* – Não se pode mudar a natureza - Natura mutari non potest*

 

PS¹ – Àqueles que podem bem aprender, e de apreender o mau se escusam, as verdades acima expressam o necessário significado de indivíduo, com efeito, a este, torna-se explicito: pessoa alguma à conta de suas próprias limitações, dar conta a outrem ninguém não deve.

  

PS - Fico-te muito obrigado pela tua visita; se leres mais, ainda que seja por acaso, caso a menos, não farei da tua atenção.

 

As mãos do meu avô...

 

 

Durante a sua primeira infância, meu avô que naturalmente, sê-lo para mim, nesta sua fase de vida, não poderia, já se mostrava por natureza, disciplinado; a ser assim, quando jovem, por muito tempo, com muita dedicação, estudara Filosofia, Teologia e Grego; entre estas e outras disciplinas, a última Flor do Lácio com suas tenazes e perfumadas gavinhas o envolveu suscitando-lhe uma grande paixão, qual seja o amor sem limites às letras. Chama à parte, chamaram-no de outra direção; quem o fez, dando-lhe uma outra direção profissional, foi a nobilíssima senhora do Largo de São Francisco... Ela, com a reta intenção de graduá-lo em direito, foi encontrá-lo a galgar os últimos degraus de uma escada que o conduziria à igreja; assim, surpreendido, deixou ele de servir ao altar da Eucaristia para servir-se das leis a mando da justiça; com efeito, se a Igreja, ainda que universal, perdeu um pouco, muito ganhou o mundo laico...

Meu avô, quando jovem adulto - já fora dito, avô meu, não poderia ser – por conveniência sua, se manteve em uma postura grave que o conteve em uma confortável redoma... Assim, por bem se acostumar com aquele hábito, costumou-se a não se ver mal durante todos aqueles seus dias... Agora que os anos lhe outorgaram a prerrogativa de ser avô, mais lhe seria bem ajustada e aproveitada aquela postura, entretanto, não tanto por sua conveniência, e sim por necessidade premente, que se tornou constante, deixou ele de manter aquele seu modo grave, ainda que muito desejasse não tê-lo perdido...

De seu grande amor ao saber, minguada parte herdei...

No início da minha infância, meu vovô, já bem idoso, novo membro da nossa família se tornou, ainda que jamais deixasse de sê-lo; isso porque veio morar conosco.

Todos os dias, a manhã mal desperta, despertava meu vovozinho para ser conduzido do seu quarto de dormir à vigília, que com toda paciência, o acolhia, pois, haveria mesmo de ser paciente, para aguardar o despertar vagaroso dele.

         Sempre que por frequente e fácil desejo, alguém quisesse vê-lo, ou por ele ser visto, muita vez, ou até quase sempre, era possível encontrá-lo sentado à varanda de nossa casa; para até lá chegar, ele o fazia com dificuldade e resignação, pois sem outro modo à sua escolha, tolerava ser arrastado pelos seus lentos passos que mal alcançavam a extensão de um dos ladrilhos do piso, sobre o qual estava ele a caminhar, ainda que esses nem bem ultrapassavam o comprimento de um de seus pés; mas, para compensar esta árdua jornada, sempre de bom grado, a sua cadeira de balanço o esperava para lhe oferecer uma boa parte da sua própria indolência. O certo é que lá chegando – à varanda – permanecia, sob os olhos carinhosos da sua família, a cada, um dia após o outro, a contar com a boa parte do pouco tempo de vida que lhe restava... Lá, ele encontrava tempo e disposição para se lembrar de esquecer do presente, tempo fugaz, que a cada instante se entrega ao passado voraz, logo, não haveria razão para se ocupar com o futuro; aí sim! Com os seus pensamentos muito livres e pouco prestos, prestava ele mais atenção à sua própria memória para encontrar no pretérito, o tempo perdido...

Suas histórias se confundiam com ele, e eram muitas; longas e repetidas, porém, muitas interessantes, ainda que todas enfadonhas. Ao ouvir suas narrativas compridas, curta não haveria de ser a paciência dos ouvidos, logo, tarefa árdua, não deixava de ser, evitada a todo custo, por quase todos da família. Por tantas vezes meu vovô tanto se empenhar contando a sua vida – que há anos longa já era – a atenção daqueles que o ouviam, servia de referência para que ele os classificasse entre pessoas boas e más. As boas, para sê-lo, algum tanto de boa vontade, haveriam de lhe demonstrar, ouvindo-o com atenção. Minha mãe, filha dele, estava entre as boas; eu estava entre as melhores, por conseguinte, da casa, para ele, eu era o mais atencioso. Atencioso daqueles que por recompensa, nada pedia, pois de sobra dava-me meu avô o seu amor e carinho incondicionais; logo, entre todos os parentes seus, que compúnhamos o nosso lar, tornei-me a pessoa mais nova, que das suas velhas histórias mais sabia. Vez ou outra, admirava as suas raras reflexões sobre temas novos, o que dava-me mais serenidade, para suportar as suas velhas e repetidas memórias. Por tanto desejar manter esta disposição, quando a paciência ameaçava-me escapar, ainda que só pelos meus olhos, meus ouvidos protegiam-me, pois sempre se deleitavam ouvindo o timbre de sua voz – a do meu avô – pastosa, rouca e grave; misteriosamente, ela dava-me paz... Eloquentes eram suas mãos magras, encarquilhadas e naturalmente, frágeis; com movimentos lentos e trêmulos, elas sublinhavam com força as palavras de seus contos. Seus trejeitos faciais exprimiam a dor, a alegria, o pavor, etc... de acordo com as exigências dos personagens que povoavam as suas narrativas. Ouvindo-o com tanta frequência e por tão longo tempo, a cada dia, admirava sempre e mais o seu talento para contar histórias. Por julgar ter herdado dele o mesmo dom, esperava alcançar igual sucesso; assim, tão logo iniciei-me no ofício de lidar com letras, despertou-se em mim, o gosto para escrever e contá-las.  A princípio, eu buscava os ouvidos da minha mãe, os do meu pai e os dos meus irmãos, e é claro, antes de recorrer a esses, aos do meu avô, recorria com maior frequência; mas, só a paciência, ou antes, não só a paciência, mas, mais a gratidão do meu vovozinho, sustentavam a atenção que eu esperava, ou melhor, aquela que muito desejava. Minhas composições e narrativas eram pueris, pertenciam aos dias das crianças, com efeito, menor valor tinham para os do meu vovô; entretanto, ele as escutava com todo desvelo; fazia-me perguntas, pedia para eu repetir uma ou outra parte já narrada, e com frequência fazia comentários edificantes; por vez, até desnecessários, mas sempre ricos de admiração; a intenção do vovô era agradar-me; finalmente, me elogiava muito.

Por tanta certeza de ser, pelo meu avô, bem ouvido; ouvidos dos meus colegas fui buscar; a princípio, faltando-lhes experiência, ou, sobrando-lhes complacência, deram-me algum crédito, dispondo-se às minhas ordens os ouvidos seus. Com este bom começo, não muito tempo esperei para descobrir o que o meu avô jamais encontrara – escutar alguém contar um caso, nem sempre é ouvir um caso que esse alguém está a contar – de posse dessa verdadeira descoberta, que para meu alento, às escondidas, bem poderia continuar, logo deduzi que as minhas histórias mal contadas, com efeito, não bem ouvidas, quando não provocavam alguma gastura, tornavam-se indigestas; por quase mais nada esperar, em tempo curto, determinei mudar-lhes os ingredientes; por esse feito, se efeito não vi, entendi que a deficiência estava nos seus temperos; assim, para não ter mais dúvida, outra escolha não tive; desisti das histórias contadas... Das contadas por mim.

Desisti de contá-las – as minhas histórias – não para o meu avô, mas, para todos os outros ouvintes; então, em um determinado dia, ou antes, em uma determinada noite de lua cheia, estava meu avô no seu cantinho da varanda, quando quis lhe falar sobre esse astro; isto porque na escola, a professora nos falara – aos alunos – do Sol, das estrelas, dos planetas, da Terra e de seu satélite natural, a lua. Naqueles dias, eu estava despedindo-me da minha infância e recebendo a minha adolescência, que chegara trazendo-me de presente, a vaidade e os sonhos... E foi assim, à noite, em um dia de lua cheia, que falei ao meu avô:

Vôzinho, você acha a lua bonita? Ele, a ela, voltou os seus olhos, e os descansou por alguns instantes, naquelas distantes e prateadas planícies, e seguida, voltando-os para mim, respondeu-me:

– Creio que é o corpo celeste mais lindo do universo; sempre gostei muito da lua!

Fiquei muito contente com a sua resposta, resposta mais iluminada que essa para dar luz à sequência da minha história, não desejaria... Assim, continuei:

A lua entre nosso planeta e o nosso Sol está presa. Fala-se que ela se mantém nessa posição, à custa do equilíbrio de forças mantido entre seu pai e sua irmã, o Sol e Terra. Nenhum a deseja; ambos a rechaçam; assim, para evitá-la, recorrem a um expediente paradoxal. Neste momento da minha narrativa, por minha imperdoável vaidade ou por simples descuido, julguei necessário explicar ao meu avô, os significados das palavras rechaçar e paradoxal; creio que ele aceitou a minha impertinência e desprezou a minha imprudência. Sob a sua benevolência – a do meu avô – assim continuei: eles atraem esse indesejável astro usando o seu poder gravitacional; essa contenda é antiga e assim é justificada: o Sol poderia, usando de sua “onipotência”, atrair a lua e consumi-la em sua fornalha incandescente, mas, sendo pai zeloso, teme pela segurança de sua filha, a Terra; esta, sendo irmã desnaturada, não quer acolher o seu satélite natural; então, a rixa sicut erat in principio* vai se perpetuando in saecula saeculorum**. A lua, por sua vez, sob claro acinte, tenta privar a Terra da luz de seu pai, para tanto, mete-se entre os dois provocando esporádicos eclipses; em outros momentos, ou antes, periodicamente, a cada vinte e oito dias, tenta afogar sua irmã elevando o nível dos mares. Tudo isso, ela faz à distância, mantendo sempre uma de suas faces oculta. Se pudéssemos observá-la de perto, ficaríamos assustados, pois a sua face, a que ela nos apresenta, é toda encarquilhada, cheia de crateras, ressecada, repleta de poeira, enfim, a lua é muito feia. Meu vovô olhou-me, deu lá seu sorrisinho e disse-me:

– Meu netinho, você também é filho da Terra, ainda assim, quase nada entende o seu avô, ou até o mal conhece – refiro-me ao Sol – e muito pouco compreende a sua tia – a Lua – creio que aquele, o seu avô, por ser o senhor da luz e das trevas, jamais pensou em queimar a sua própria filha – a Lua – A Terra e a sua irmã não têm lume próprio; o Sol por ter criado o dia e noite, enquanto a Terra descansa, ele ilumina a lua, e ela, refletindo a luz de seu próprio pai, não a retém só para si, prefere dividi-la com sua irmã Terra, cobrindo-a com seu o manto luminoso sem lhe quebrar o repouso...

Eis uma história verdadeira que há a mais de meio século encantou-me, especialmente por que dela participei, e dela, fui o maior beneficiado, visto que mais frutos perenes dela colhi. Agora, já adulto, as minhas lembranças de criança, para a minha grande felicidade, ainda estão presentes, e hão de continuar, ainda que eu chegue à idade decrépita.

De lá para cá, ou seja, a partir da minha iniciação no mundo das letras, raramente dou de frente com alguém disposto a escutar as minhas histórias; quando isso acontece, às vezes, penso em contá-las, mas, lembra-me a gastura por conta de outras que contara no passado, logo, me é mais seguro, fazer-me de ouvinte. Assim tenho administrado esse recalque...

Nos dias de hoje, estou recorrendo a outro modo de contar histórias – trata-se da forma escrita – Penso que algum êxito hei de ter, pois, antes de levá-las ao prelo, as leio sem deixar de relê-las várias outras vezes; submeto-as ao jugo de outrem, sobretudo, ao dos gramáticos que se fazem representantes das gramáticas, que sendo femininas, maior alento me dão, pois ao pé de mim, sempre bem mais aceitas são as mulheres... Assim, estas e aqueles, podem tirar o excesso de açúcar dos meus textos, quando doce não lhes faltam; também, tão bem podem acrescentar-lhes sal se estão insossos; e ainda, sempre têm eles – as gramáticas e gramáticos – à mão, uma ou mais especiarias, assim, terão habilidade tanto quanto liberdade para temperar meus textos a gosto; e mais, os meus escritos antes de caminharem à luz, aos verdadeiros amigos, os entrego, pois esses a desejar estão o meu bem, logo não querem me ver exposto ao ridículo, para tanto, preferem embolar algumas páginas minhas a ver-me de cara amarrotada; e mais ainda, posso tanto retocá-los que perdem a sua originalidade, com isso terão que estar novamente diante dos críticos; finalmente, após todos os reparos e sem nenhum receio, permito que sejam dados à luz.

Cara leitora, se chegaste até aqui, desgaste não te causei com minhas palavras, a ser assim, isto posso dizer: agradeço-te por me teres cedido os teus ouvidos, se ouvido por ti, foi esse relato que está logo acima deste parágrafo.

 

 *  - sicut erat in principio, como era no princípio.

** - in saecula saeculorum, por todos os séculos dos séculos.

 

PS - Fico-te muito obrigado pela tua visita; se leres mais, ainda que seja por acaso, caso a menos, não farei da tua atenção.

 

Se ver de verde...

 

 

Ao alcance dos olhos, da parte maior das maiores árvores de uma grande floresta, havia um Ipê que se tornou exuberante e frondoso; tão logo contou em si, as primeiras primaveras, a cada Primavera, de lilás se vestia, assim, tão destacado ficava, que se ver de verde, inúmeras vezes desejou, para se livrar do roxo olhar da inveja que insistia em quebrar-lhe o encanto...

 

PS - Fico-te muito obrigado pela tua visita; se leres mais, ainda que seja por acaso, caso a menos, não farei da tua atenção.