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Através deste texto pequenino, um grande e sincero desígnio expresso, qual seja desejo me livrar da vaidade, entretanto, por duvidar da força do meu próprio caráter, receio que se a minha vontade não tiver maior validade, de veleidade perniciosa não passará o meu intento...

 

Por imoderada inclinação que tenho para suscitar admiração e receber mesuras, sofrimento a menos do que mereço, tenho tido... E para não sofrer mais, menos presunçoso hei de ser; contudo, sei que para não ficar apenas com essa vã presunção, entre outros males dos quais hei me livrar, dispensar elogios é o meu desejo, ainda que os tenha por um bom adubo, pois bem compreendo que eles podem dar vigor à planta em crescimento, a despeito da erva daninha chamada vaidade, que muita vez, entremeada na seara, onde se cultiva a verdade, ao desfrutar do mesmo trato cultural, poderá ter seu viço aumentado, logo, logo cedo, essa praga se alastra e solta as suas inflorescências, com isso, muita vez, ou antes, de vez, não tardará a dar seus maus frutos; a ser assim, devo dispensar elogios, mas, por vez, tenho esta dúvida: se o fazer e o não fazer caso do que é vão, vão dar amiúde, àqueles que o fazem, a posse da legítima vaidade; ainda que essa seja pálida, será possível que aquela erva invasora, aos poucos, fora me envolvendo em suas gavinhas, para que pudesse germinar em meu coração, o seu fruto legítimo, a falsa modéstia? Portanto, por tanto pensar, sem pesar, dispenso elogios, mas aceito remendos, contudo, os recebo com algum dissenso, visto que antes de serem aplicados, exigem cautela, pois a reparar um dano, se alguém está a tentar, atentar antes à qualidade do tecido que será usado para fazê-lo, se faz necessário, pois se esse às pressas, fora urdido, abre-se um rasgo, quando um pequeno puído se esperava tapar.

  

PS – Para justificar o que afirmara com o título desse texto, afirmo que: “Recte facti fecisse merces est”, ou seja, “A recompensa pelo feito, é o próprio feito, se bem feito fora”; e mais digo: fiquemos atentos, pois muita vez, elogio não passa de um negócio reles do tipo “Pro amphora urceus”, ou seja, “O pote pela ânfora” ou ainda, “Uma bilha de leite por uma bilha de azeite”.

  

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