O homem e o mar...

 

O autor por onze dias esteve em uma praia; toda deserta, por pouco. Muito tempo não lhe faltou para observar o homem e o mar, que juntos, já não mais se entendem...

 

Fui à praia dos Carneiros em Tamandaré, em Pernambuco.

Pernambuco aonde antes eu não fora;

Pernambuco aonde eu gostaria de morar;

De onde não mais sairia, se para tanto, poder tivesse...

Praia dos Carneiros, grande pasto de areia cor de lã,

Que o mar em ressaca, rechaça, esvaziando-se a mando da lua cheia;

Praia dos Carneiros, campo de largura definida mal, bem irrigado com sal;

Praia dos Carneiro, pastagem estéril que logo desidrata os seres que da doce água dependem.

Da praia dos Carneiros, ou antes,

Dos seus recifes de areia, talhados pelas marés, a sustentar coqueiros esguios que ao vento a contentar estariam, se ao chão, esgarçados não estivessem,

Estendi meus olhos ao mar de tantos outros animais;

Ainda que visse suas águas bem, mal suas cores, consegui definir.

Mar de mau humor, de minguada paciência que ferido fere o continente.

Mar límpido, dos dias de ontem, que pelas mãos sujas dos homens, dos dias de hoje, turvas terão, nos dias de amanhã, as suas águas.

Mar, morto que já quase está, a viver doente encontra-se a ameaçar o enfermo homem...

Homem que avança às águas suas, sem temor, sem notar o horror da terra ao recuar.

Mar que não mais se maravilha diante dos encantos das suas praias.

Mar de escassas espumas brancas, que alvo louvor às praias, já não mais oferece. 

Por tudo que vi no mar, com nublados pensamentos, meus olhos à terra voltei, 

Para dizer adeus ao mar que não me ouvirá dizer:

Retornar, aqui, preciso!

Pois, se não assustado fiquei, um humilde cordeiro voltei ao meu árido lugar...

 


PS - Fico-lhe muito obrigado pela sua visita. Se ler mais, ainda que seja por acaso, caso a menos, não farei da sua atenção.

 

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