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Eu escrevo mau?

  

A desejar tão somente esta resposta: - Sim, você escreve muito bem! Em um dia destes, não há muitos dias, lembrou-me fazer às pessoas - não mais que cinquenta - entre aquelas que dizem estar a viver bem no mundo dos homens, e no das letras afirmam se sentir à vontade, a seguinte pergunta:

   

Eu escrevo bem?

 

Muitas respostas divergentes houve, e houveram, apoiadas em palavras evasivas, não menos outras; com efeito, fui perdendo a graça ao ouvir uma a uma destas; e entre estas, houve algumas que me deixaram muito embaraçado, logo, nenhuma me trouxe alento; por ter sido assim, não consegui dissimular o meu desapontamento diante daquelas pessoas; então, para mim mesmo - para quem não deixo de inclinar olhos complacentes - fiz a mesma pergunta, ou antes, depois de uma pausa à reflexão, fiz a seguinte indagação, que “mais bem” apropriada seria para ensejar respostas melhores e desejadas:

 

Eu escrevo mau?

 

Respondi-me:

 

- Às vezes, ou para melhor dizer, muita vez o faço por excesso de confiança nas letras, ou por não distinguir bem o perfume da última Flor do Lácio... Assim, de contínuo, continuo a deixar no papel, entre letras e outros signos, as pegadas dos meus erros... Ainda assim, a suportar as minhas limitações, a duras penas, da pena não desisto...

Naturalmente, não gostaria de escrever mal, logo, logo, ou o quanto antes, para evitar este mal, o já escrito, revejo... Ainda assim, por vezes, depois de tanto rever depois de escrever, reescrevo mal; por esta via, todavia, não passou o título deste texto, pois, ao revê-lo, tanto o fiz bem, que mal não reescrevi, com efeito feito, para que ficar mais bem escrito, deixei no lugar do mau o mal...

Mal ou bem continuo escrevendo, embora saiba: Aqueles que bem me leem me bendizem menos, e mais me criticam, e até, com maior frequência, desprezam os meus escritos; entretanto, entre tantos que mal me leem, a maldizer-me menos, há mais... Mas, daqueles e destes, por escrever, ou até por simplesmente viver, recebo críticas várias; entre estas, poucas me trazem algum incômodo, contudo, entre estas, há pouquíssimas que, sobremaneira, me incomodam, quais sejam, as construtivas, pois, por minha deficiência, não consigo entendê-las como tais.

Nesta situação, só de falar ou de me lembrar destas minhas eivas, eivo-me, pois ao tentar me esquecer daquelas críticas - as tais pouquíssimas - mais escrevo mal, pois repito palavras palavras, ou até, troco suas eltras; portanto, por tanto ser rica e grande a língua de Portugal, com muita dificuldade, a deito no papel, e não com menor esforço, a mantenho de pé, nesta tela, deixando-a, quase sempre, órfã daqueles seus adjetivos...  

Pelo dito acima, posso dizer o que abaixo, haverá de ficar:

Algumas pessoas me criticam, pelos meus textos; outras, sem nenhuma pena, os desprezam; poucas, quando não, pouquíssimas apoiam esta minha faina ao me envolver com as letras. Isto eu sei, por que sei, que de outrem, amiúde, desprezo os escritos. Se tenho liberdade para aceitar ou desprezar os escritos de outro escritor, não poderiam quaisquer leitores de igual forma, tratar os meus escritos? Sim, poderiam! Mas, não poderiam me criticar, pois, criticar, bem sei que bom efeito não traz; assim penso! Entretanto, nem sempre - embora não devesse fazê-lo em tempo algum - não consigo cultivar os meus próprios preceitos, pois, ainda que raro seja, algum tanto, critico o trabalho alheio; porém, não com menor esforço, muito tenho me empenhado para não mais fazê-lo.

Se possível é que não haja críticas, ainda assim, devo desprezar o escritor mau?

- Sim, e às pressas.

E com os escritos dele, o que devo fazer?

- Hei de desprezá-los sempre; uma vez que, o mau por se opor ao bom, o bem jamais urdirá, com efeito, mal feito sempre fará.

Devo acolher sempre o escritor bom?

- Nem sempre; nem mesmo por gratidão, ainda que grande fora o favor recebido, pois, não por deliberada maldade, boa obra poderá não conceber.

E quanto à obra do mau escritor?

- Antes de julgá-la, note bem! Algo de bom poderá escrever o mau escritor.

E quanto à obra do bom escritor?

- Tome tento! Algo de ruim poderá ela encerrar.

Quanto a mim, julgaram-me bem nascido, tanto é verdade que à luz de si mesmo, o próprio Sol, assistiu, sem poder se eximir, quando me deram à luz, deram-me, em seguida, Eugene por nome próprio. Por ser verdade, devo repetir a contragosto: Fui bem nascido, mas, mal criado fui, e por esta falha, sou malcriado, e mau criado seria, se me tomasse por servo, algum imprudente senhor, logo, logo, ou em qualquer tempo, não terei dúvida: Nem sempre escrevo bem; mal não desejo fazê-lo, com efeito, entre os meus escritos, há sempre quem despreze um ou outro, ou interesse tenha, até para mais de um.

Veja bem! Que não haja dúvidas entre aqueles que têm bons olhos para ler o que por escrito estou a deixar: o escrever bem ou mal, não está apenas, sob as minhas rédeas, mas, tenho sob o meu jugo, o querer, e até para o meu próprio bem, escritor mau, não quero ser; logo, ou desde antes, penso:

Se, por ser mau escritor, for esquecido, esquecer a desfeita tentarei, mas, ainda que não seja muito afeito aos gerúndios e às rimas, a escrever continuarei, com a esperança de que jamais, um escritor mau serei.

 

 

PS - Fico-lhe muito obrigado pela sua visita. Se ler mais, ainda que seja por acaso, caso a menos, não farei da sua atenção.


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