Cegos e desgraçados eleitores deste país...

 

 

 

Cega democracia a um povo míope

 

Caso queira, sem qualquer cautela prévia, entre entre as linhas abaixo, visto que estas não sustentam nenhum elação, pois de ilação poética não desejam passar...

 

Entre as várias formas de governo que há, ou seja, entre as bases onde se apoia o Estado para cumprir sua função necessária a garantir a paz, a justiça, e o bem estar aos seus filhos, encontram-se a Aristocracia e a Democracia; esta forma é injusta por forma própria, logo, para não sê-lo, outra morfologia haveria de ter... Já aquela – a Aristocracia – por sua vez, ou antes, a que vez sempre deveria ter, é uma forma que pode ser justa, se da sua gênese não se degenerar... Vejamos então, os seus corpos, o de uma e o da outra.

Ainda que esta tela seja extensa, extenso poderá não ser o seu tempo e curta talvez seja a sua paciência, logo, para não correr desnecessário risco a suscitar a sua dissidência, de forma sucinta, digo que a Democracia é uma forma de governo que a basear nos princípios da soberania popular, através do ato eleitoral, busca a distribuição equitativa do poder, dividindo-o, consequentemente, e sobretudo, controlando a autoridade que o exerce; assim, dúvida não há, a essência da Democracia é a liberdade ao sufrágio universal; a ser assim, a essa afirmação, com atenção, voltemos e votemos, pois somos cento e quarenta e dois milhões de eleitores aproximadamente; digo aproximadamente, uma vez que estanque não haverá de ser este momento, com isso, a prestar um serviço cívico à pátria estão a morrer alguns eleitores parvos, contudo, para que sejam perpetuados os vícios, com todo empenho, em detrimento à nação, outros tantos menores de menor entendimento habilitam-se para entregar seus votos... Mas, saibamos que ainda ativos, entre nós, há também, aproximadamente, treze milhões de títulos nas mãos de mentes iletradas, e vivas há ainda mais vinte milhões que estão a decodificar mal os signos alfabéticos, com efeito, maior dificuldade têm para conceber ou interpretar os anseios administrativos do nosso Estado; por consequência, esses e aqueles formam um contingente de trinta e três milhões de eleitores funcionais, ainda assim, ao nosso lado, às urnas querem ir, ou antes, às urnas são conduzidos...

Neste momento, por imposição deste texto, abro um primeiro parêntese, que ao se justificar, justificará um segundo, ou até outros, caso necessários sejam; vejamo-lo:

“A abrir parêntese, amiúde quebra-se o texto que julgamos carente de reparo; e ao fazê-lo, muita vez, subestima-se o raciocínio de outrem, ou remenda-se o nosso próprio que fora puído”; sob esse, e não sob aquele efeito, é feito aqui, por ser necessário, um remendo. Entre estas letras, o faço pela primeira vez, mas, já o fizera antes em outros lugares; e caso seja imperativo, para conservar o hábito velho, de novo, em algures, fá-lo-ei. Pois bem, sem constrangimento, tolere este parêntese que se segue, pois o faço, por minha conta, logo, logo, ou desde já, estou a remendar o meu próprio raciocínio que fora trincado.

 “... às urnas querem ir... Cegos e desgraçados eleitores deste país... Não sabem que tanta desgraça causam quando às urnas querem ir, pois ignoram que: “Aliud est velle, aliud posse”, ” Umacoisa é querer, outra é poder””.

Continuemos, mas, fora dos parênteses:

Pergunto-te:

Podemos instaurar neste nosso Brasil, uma Democracia?

Poupo o teu tempo, ou atalho o teu raciocínio, e respondo em teu lugar, pois, sensato que és, sensata haverá de ser a tua resposta, que diferente da seguinte, não haverá de ser:

Sim! Podemos fazê-lo, mas, para tanto, antes cancelemos aqueles trinta e três milhões de títulos eleitorais que nas mãos dos eleitores funcionais* estão, com efeito, são ineptos a votar, pois às cegas, tendem a eleger candidatos faltos da luz; e a continuar o expurgo, entre os cento e nove milhões de eleitores restantes, há não menos que oitenta milhões corruptos por natureza ou limitados mentalmente pelos próprios caracteres genéticos que detém em si, logo, haveremos de excluí-los também. Aqueles – os corruptos – são os mais nefastos à estrutura administrativa de uma nação, pois fazem do voto uma moeda fortíssima e ambivalente, visto que tanto pode ser usada para vender a dignidade de quem a dispõe, e a um só tempo, comprar a honra de quem a recebe; Após esse procedimento matemático – o grande expurgo – que das quatro operações, tão somente da subtração dependeu, à procura do que somar, voltemos à pequena fração de vinte e um milhões de eleitores que para se qualificar à arte de votar, ainda carece de mais uma necessária avaliação, qual seja deverão demonstrar inequívoca disposição para se voltar ao bem estar do seu povo em detrimento de quaisquer interesses pessoais seus; em seguida, impeçamos de forma incisiva ou até coerciva, que tenham acesso aos cargos públicos, os pretensos candidatos que naquelas desqualificadas frações de eleitores, tiveram suas origens, ou seja, impeçamos com toda veemência, o ingresso de candidatos aos cargos públicos, que estão entre os eleitores funcionais, ou têm a natureza corrupta, ou ainda, por natureza, são estultos; depois de lhes impor essas necessárias, compulsórias, e irrevogáveis sanções, com o intuito de ainda mais aprimorar o sufrágio, haverá der ser fatorada em unidades de milhares o remanescente daquela dita pequena fração; feito isso, esta conclusão alcançaremos: entre as centenas de unidades de milhares obtidas, ao fim que se anseia, devem ser dez prezadas**, e desprezadas, inexoravelmente, as demais restantes. Finalmente, depois de desgastados por tão árduo trabalho – o de excluir dos pleitos eleitorais, os néscios, e deixar proscrito da vida pública, o candidato falaz que aos seus eleitores, ainda que se apresente diserto, de certo quase nada tem a oferecer a um povo carente que somos – tão somente nos resta descansar sob o manto da utopia, enquanto aguardamos que a justa e desconhecida Aristocracia tome o espaço da injusta e fratricida Democracia. Se isto se desse, a nossa nação esmorecida pela falta de justiça encontraria a paz social...

 

* Eleitor funcional é antes, um analfabeto funcional, pois, embora seja capaz de decodificar os numerais e as letras; com dificuldade, o faz com o que lê, com efeito, os textos que lhe são apresentados, ainda que simples e curtos, à longa confusão o levam, logo, esse leitor, não desenvolve habilidade de interpretação desses textos, a ser assim, e lamentavelmente, com frequência, ou até sempre, assim é, esse eleitor, por conveniência imperdoável, através uma injusta forma de governo – a democracia – recebe, ou antes, é posto em suas próprias mãos um título eleitoral. Tal pessoa, ora chamada eleitora, por ser acometida por uma específica desnutrição crônica, qual seja falta-lhe cultura, especialmente, a cívica, não pode levar à urna o seu próprio voto; assim, este indivíduo – o eleitor funcional – mal funciona em detrimento de uma nação inteira.

 

** Depois daquele formidável, legítimo e necessário expurgo, um contingente que contem dez mil eleitores, por ter sido formado a contento, contenta a instituição de um colégio eleitoral hábil e suficiente para substituir aquele colossal e insignificante número de eleitores primários.

 

PS – Sobre o que acima fora dito, posso receber a sua opinião, mas, se quiser fazê-lo agora, tenha paciência e espere por algum tempo a mais; caso, continue disposto a me dar ouvidos, brevemente, falaremos sobre Aristocracia. Caso, não almeje essa justa forma de governo, ainda que eu não o deseje, de uma só feita, uma desfeita, ao menos, hei de suportar...

 

 

PS - Fico-te muito obrigado pela tua visita; se leres mais, ainda que seja por acaso, caso a menos, não farei da tua atenção.

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