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Dispenso elogios, aceito remendos...

  

Este texto retrata o honesto desígnio do autor ao desejar se livrar da sua própria vaidade, entretanto, sua vontade, de desejo pouco está a passar, se não, ao nada o levará, pois, por força maior de outro vício seu, que menor não é, e por estar em conluio com a sua própria vaidade, quer daquele intento, desviá-lo.

 

 Por imoderado e essencial desejo que temos os homens de atrair admiração ou homenagens, sofrimento a menos do que mereço, tenho tido, logo, para sofrer ainda menos, menos presunçoso quero ser; sei que para não ficar apenas com esta vã presunção, devo dispensar elogios, ainda que os tenha por um bom adubo, pois bem sei que este pode dar vigor à planta em crescimento, contudo, a erva daninha chamada vaidade, muita vez, entremeada no plantio, desfrutando do mesmo trato cultural, poderá ter seu viço aumentado; então, a praga cedo se alastra, logo solta suas inflorescências, e não tarda em dar seus maus frutos; portanto, dispenso elogios; mas, por vez, tenho dúvida: talvez aquela erva invasora, aos poucos, fora me envolvendo em suas gavinhas, fazendo germinar em meu coração, o seu fruto legítimo, a falsa modéstia... A ser assim, dispenso elogios, mas, aceito remendos, contudo, os recebo com algum dissenso, visto que antes de serem aplicados, exige-se cautela, pois se o tecido que os compõe, for fraco, de início, repara-se o dano, mas em seguida, abre-se um grande roído, ao tentar tapar um pequeno puído.

 

PS - Fiquemos atentos! Muita vez, elogio não passa de um negócio reles do tipo − Pro amphora urceus − ou seja, “O pote pela ânfora” ou ainda, “Uma bilha de leite por uma bilha de azeite”.

 

 

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