De mim não tenhas pena, apenas...

Para me livrar - espero que tenha êxito - da natural inclinação que tem o vento para lançar ao ar os textos, ao texto maior que ainda virá, deixarei atrelado este pequenino poema-confisão que pelo feitio próprio que tem, poderá resistir, ao menos, a uma suave brisa...

 

“Das ásperas cidades, muita vez, nada estou a desejar,

Mas, por mais que assim o queira, aos seus encantos sou obrigado a ceder,

Logo, ou a todo instante, quando o faço, decepciono-me ao perguntar:

Que é do verde? Pois, ver de perto a sua cor é o meu querer.

Que é do ar incolor aos olhos meus? Pois, o cinza não consigo respirar.

Que é do insípido ao meu paladar para que água eu possa sorver?

Que é da leve brisa? Pois, o peso da fuligem, minha pele não pode suportar.

Que é do azul do céu a anuviar os meus olhos quase que a me solver?

Que é do silêncio das noites a distender o brilho do luar?

Que é do mar esmeralda que me arrasta à esperança de viver?

Que é do sorriso livre do meu próximo preso ao ignorar?

Que é da minha iniciativa para o mal em bem reverter?

Que é de tudo que desejo e preciso encontrar?

Por fim, de início, só deveria ter pedido a um Ser:

Senhor! Por tanto indagar,

De mim não tenhas pena, apenas dá-me o que eu merecer.”

 

 

PS - Fico-lhe muito obrigado pela sua visita. Se ler mais, ainda que seja por acaso, caso a menos, não farei da sua atenção.


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