Não queiras gostar de mim...


Confesso! Às paredes nada tenho a dizer, ou antes, nada devo revelar,

Ainda assim, a confissão seguinte, delas pude alcançar:

- Antônio já não está a fazer milagres!

Antônio! Diz-me: Perdestes o tino?

Ou não atinaste, que mesmo nas celas, a selar o nosso destino há malhas?

Ou de Amália, às palavras, não deras crédito?

Antônio! Não me enganaram as paredes, pois, a vagar em vão pelo porto, vejo-te sempre assustado, pois, às vagas, já não tens mão.

Antônio! Não estão a me enganar as paredes, pois, do porto, o vinho, às escondidas, tendes a tomar.

Antônio! Nada dizem as paredes sem causa,

Pois, vejo que já não conténs o vento frio a acoitar as poucas folhas verdes. 

Antônio! Sabe:

Ainda que em algum beco da Alfama me oculte, ou busque refúgio na Baixa, por entre seteiras abertas do seu solar, por ciúmes das flores, ou por inveja de ti, está a lançar-me setas, o teu par.

Antônio! Não queiras gostar de mim, sem que eu te peça, ainda assim, por mim,

Cinge-te com a força que vem do alto, pois bem sabes que pelo amor cinde-se muralhas, e faz-me um milagre, ainda que seja o teu último:

Faz surgir nos limites do castelo de Jorge, a caminhar por uma de suas tantas ruelas, uma linda Flor...

 

 

PS - Fico-lhe muito obrigado pela sua visita. Se ler mais, ainda que seja por acaso, caso a menos, não farei da sua atenção.


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