Inspirar-ação

 Eugene Grael

Por ser um ser aeróbio necessário, o homem, naturalmente, a inspirar vivemos, ou para maior exatidão do que há, que a dizer do corpo humano, agora estou, digo: o homem, naturalmente, por ter o oxigênio imprescindível à sua vida dele, ou a de um  humano qualquer, para se manter vivo, vive a inspirar, logo, e sempre, tal ato é fisiológico, e há de sê-lo também, este mesmo verbo quando se torna reflexivo para dar maior vitalidade à alma daquele o conjuga, e ainda, quando este mesmo verbo se converte em transitivo - e há de ser indireto - maior e nobre alcance não poderia almejar, pois  inspirar o seu semelhante dele, que há de ser também o seu - você que está a me ouvir - ou ainda o meu, que deseja ser por mim ouvido, grande deleite não deixa de ser.

- E quando podemos inspirar, ou antes, quando podemos inspirar alguém, ou antes, mais uma vez, quando podemos nos inspirar, e por efeito, inspirar alguém?

Antes saibamos que a inspiração não se compraz em si mesma, portanto, antes que ela se desperte, para recebê-la, haveremos de ter uma predisposição para que haja uma ação após o seu florescer dela - o da inspiração - qual seja devemos materializa-la em algum substrato que poderá ser uma pedra: inicialmente, esta haverá de perder suas arestas, pelo uso do cinzel e do maço, em seguida, ao nosso tato, e ao alcance dos nossos olhos, haverá de se expressar polida. Poderá ser o barro: a princípio, disforme e maleável, haverá este de ganhar forma e consistência pelas mãos hábeis do oleiro. Poderá ser a madeira: em um primeiro momento, áspera e tosca, a ser lavrada, ganhará ares de nobreza. Poderá ser o papel a receber signos, que para perpetua-los, haverá de mantê-los indeléveis, até que os veja o próximo leitor, pois o último que os viu, os levou em fiel cópia para si... Poderá ser uma tela de tecido, que a tramar com as cores, haverá de iluminar quem a vê. Poderá ser também, onde deitadas estão a ser estas palavras, que espaço não ocupam, por ser virtual esta tela, ou por ter lindas que não conseguimos alcançar, que maior alcance haverá de ter. Há outros substratos! Entre eles, não nos esqueçamos do mais nobre, o corpo humano, que sente e bem aceita o suave tato, e este só haverá de deixar nesse, tão somente as pegadas do carinho...

Sendo assim, ou a dizer melhor, para mais bem cultivado ficar o luso Português (teria resvalado a pena em um pleonasmo evitável, não fosse o Português que no lugar da “língua portuguesa” está), digo a ser assim, portanto, a ser assim, se foi por efeito de tantas letras vagarosamente agrupadas às minhas ordens, que estou a divagar, devagar, também pelo mesmo efeito, fui concluindo lentamente (e de outro modo não poderia fazê-lo, pois, não se divaga às pressas) que inspiração há de rimar com gratidão, ou antes, inspiração há de andar ao lado do agradecer, logo, não logo, mas o quanto antes, uma vez que meu tempo está a expirar, por inspirar, por me inspirar, e sobretudo, por inspirar alguém, muito agradeço a Deus...

 

 

PS - Fico-lhe muito obrigado pela sua visita. Se ler mais, ainda que seja por acaso, caso a menos, não farei da sua atenção.

  

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