Caí de moda!

 

Que grande queda sofri! E aonde não esperava, sem esperar, caí; e olha que abrupta não foi a queda, ainda assim, não percebi que estava a cair. Foi por estar a pensar hoje, o que há muito tempo pensei, pois, às mudanças um tanto, sempre estivera indiferente, quando não, diferente não consegui fazê-lo, que não percebi a minha grande queda; faltou-me habilidade para notar que o tempo ao escorregar sob nossos pés, nos exige passos firmes no mesmo compasso com o seu deslizar; assim, por me apoiar no tempo que passou, ou antes, no passado que já não mais existe, pois este já se sucedeu, já deixou de ser, fui saindo da minha posição direita, e fui perdendo o prumo...

A sair e a perder, continuei até cair, cair de moda... 

Mas, antes de sustentar a minha opinião coxa, coxo antes estivera eu - devo confessar - pois, para essa queda, outra justificativa que me sustente não tenho, entretanto, por tanto me faltar equilíbrio que tanta falta me faz, devo me apoiar em duas outras pessoas, que por tanto que de moda caíram, caíram, quase que já, no esquecimento eterno; trata-se de Platão e Aristóteles que assim pensavam:

Platão, que de Sócrates, muito pôde saber, entendia a arte sendo a imitação da natureza, e esta, fora concebida sendo a imitação das ideias; o objetivo da imitação é invariavelmente, alcançar a beleza, assim, ele - Platão - que se fez representar por Eros, durante um ”Banquete”, quando este por aquele, disse: “Se alguém deseja conceber, gerar e dar à luz a Arte, nada de diferente pode fazer, senão se lançar à busca do “Belo””.

Aristóteles, que de Platão, muito pôde saber, não desejando plagiar o “mestre”, dizia: “A Arte é essencialmente, imitação da Natureza, e a Arte não deve ser entendida sendo uma simples reprodução, mas, sendo emulação da Natureza, a Mestra.”

Assim, por conta deles, em quem busco amparo, digo que penso, e desejo jamais deixei de pensar, que “todas e quaisquer manifestações artísticas, inclusive a literária, que entre todas, em destaque maior, há de estar, pois, maior espaço alcança, hão de ter um objetivo único, qual seja o de edificar por encantamento, por admiração, por harmonia, por simetria, aqueles que com elas se deparam.”

Eis a questão suscitada: edificar!

Edificar de construir, de induzir à virtude, de infundir sentimentos morais, de despertar desejo à busca do Sagrado, etc....

Antes de caminharmos para um confronto que até poderá ser evitado, deixemos aqui registrado um axioma; melhor, deixemos dois:

A - A um ser, damos-lhe o nome valor quando ele é digno de ser por si mesmo; também a uma ação digna de ser realizada, atribuímos-lhe o mesmo nome, valor.

B - “Há valores que sendo absolutos e perenes sustentam, ou, deveriam sustentar o ser humano; logo, a própria sociedade, por eles, seria sustentada.”

Podemos listar estes valores, e assim o farei, não obstante, a lista seja aberta, pois, estanque não é, e jamais sê-lo-á; logo, abaixo estão os dez grupos principais, e a frente de cada um destes, encontra-se o seu componente principal, ou seja, o centro da galáxia que contém os demais outros valores. Ei-los:

 

A - Valores religiosos - O Sagrado;

B - Valores ónticos - O Ser;

C - Valores pessoas - A Pessoa;

D - Valores somáticos - O Corpo;

E - Valores sociais - A Família;

F - Valores noéticos - A Verdade;

G - Valores morais - A Bondade;

H - Valores culturais - A Cultura;

I - Valores estéticos - A Beleza;

J - Valores econômicos - O Trabalho;

 

Voltemos ao primeiro parágrafo, ou antes, a partir dele, continuemos:

“A literatura que fere um ou mais destes valores, é imprestável!” 

Depois deste último parágrafo, que pode ganhar aqui, a alcunha, “Terceiro axioma”, pois se funda nos dois anteriores, não há discussão, ou antes, só haveria entre aqueles que não se apoiam naquela inicial definição, “A Literatura deve buscar pela sua própria essência, edificar aquele que com ela se depara”.

Se de moda caíra antes, agora não tenho esperança de fazer valer esta minha concepção, ademais, sei que há aqueles que desqualificados, quase sempre para quaisquer discutições, se limitariam a me dizer o que se segue, se ouvidos, eu lhes desse: 

Ah! Esta é a sua opinião? A minha é bem diferente!

Esta sua posição é relativa; e a democracia, onde está?

Temos que respeitar a liberdade de outrem!

Finalmente, alguém, a julgar deixar-me constrangido, tornou-se sábio, sem o saber, para grande deleite meu, ao me dizer:

- Você jamais fará parte desta nossa seleta geração de escritores!

Apoiado no escrito acima, digo:

Se o escritor escreve mal, e é bom, ou seja, não sendo um homem mau, que recebam os seus textos, o nosso acolhimento, pois, estes podem ser bons...

Se o escritor escreve bem, ainda que seja mau; aos textos dele, quase sempre, nenhuma atenção devemos dar; contudo, por falar mais forte, a voz do bem; do escritor mau, alguma coisa boa pode sair...

 

PS - Cair de moda sem se ferir, é possível! E até é possível mais firmeza se adquirir para caminhar com mais segurança pela vida afora. Esta queda que nos deixa fora da moda, muita vez, nos dá conforto e liberdade, pois, nos exime de dar respostas...

 


PS - Fico-lhe muito obrigado pela sua visita. Se ler mais, ainda que seja por acaso, caso a menos, não farei da sua atenção.


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