Para com o Demônio não “ficar”, sair do Twitter devo!

 

 Eu que muito empenho faço para continuar a cultivar o mundo dos antigos, por minguada habilidade que tenho com os modernos meios de comunicação - se é que nos dão estes, mais habilidades pra melhor nos comunicarmos - tive que chamar alguém para instalar no meu All in One o que seria o meu Twitter. Por sorte minha, ou por negligência do técnico contratado, ou ainda, por maior apreço que tivera ele por mim, antes da operação ser executada, disse-me entre outras coisas, que mal entendi, mas, bem compreendi a seguinte história contada por ele:

- Venho atender ao senhor, pois aqui, me chamou; vou instalar o seu Twitter, para tanto, pagar-me-á pelo serviço prestado, R$ 66,66.        Sessenta e seis reais e sessenta e seis centavos? Que valor diferente é este! Respondi-lhe.

Sim! É diferente, e diferente da tabela não posso cobrar, respondeu-me ele; e ainda me disse: por já nos conhecermos há algum tempo, vejo-me na obrigação de antes, lhe contar o que é o Twitter.

Começo dizendo que este dispositivo de perseguição contumaz que às ordens do mau para o mal fazer, segue sem dar trégua à presa; a mando do predador maior, fora, indiretamente, concebido por um, entre os milhares e milhares filhos de Belzebu; diga-se de passagem, em nenhum momento do passado, teve o Demônio o gesto de gestar e parir tanto quanto o tem feito nos dias de hoje... Por começar dizer, embora arrependido, já esteja, continuo: aquele filho de Belzebu, ainda com seus chifres malnascidos, logo, com a idade dos nossos jovens ao iniciarem-se na prática do “logar”, ou às vezes, ou até frequentemente, ao adquirirem o hábito de se drogar, ainda que gerado nas trevas que fora, clara visão tinha ao meios da sedução, portanto, sem nenhuma demora, instituiu entre aquelas jovens pessoas, para que ficassem seguramente arrebanhadas em torno de um propósito vazio, a prática de “ficar” sem saber o porquê; tal prática, a de “ficar”, tem por fim, pôr fim à dignidade das pessoas,  para em seguida, induzia-las, em comunhão com o príncipe das trevas, a admitirem comum a união íntima, por tempo curto, entre os jovens e inexperientes humanos; não importando se de um sexo ou de outro sejam estes, e até mesmo, se os dois sexos em um só individuo haja; pois, seguindo o que faz Deus, acepção de pessoas não haveria ele - o filho do Tinhoso - de fazer; assim, bem cedo, dispôs de seguras amarras para atar os incautos adolescentes; assim, com grande sucesso e boa expectativa, o rebento do Maligno iniciou-se no seu ofício mais bem aprovado pelo seu pai, o de perseguir o humano ente para doente torna-lo.

Nem bem começou esta sua atividade, notou que de quando em vez, ou antes, em raras ocasiões, não alcançava êxito pleno, pois um ou outro perseguido, ainda que com pouca fé em Deus, ou conduzindo uma pequena imagem do filho Deste, em forma de cruz, se livrava, facilmente, da sua ferrenha perseguição.

Por, eternamente, ser reles, e relevo desejar dar à natureza sua de muito bem, o mal plantar, entendeu o filho de Satanás de “ficar” com um jovem que lhe devotara grande paixão; além do que, este, também não cultivava menor habilidade para o desenvolvimento software ao mal. Tanto fez este filho do Diabo, que conseguiu convencer o talentoso rapaz a criar um dispositivo de comunicação que fora denominado, Twitter. Muito trabalho, mas, pouco compensador não haveria de ser; pois o jovem amante da informática e o filho de Belzebu tiveram, para desenvolver aquele engenho, através do qual, as pessoas poderiam ser seguidas pelos seus semelhantes, que sem o saberem estes e essas, às ordens do filho de Satanás, estariam agindo.

Impaciente e assustado com esta tenebrosa narrativa, interrompi a fala do jovem para lhe dizer:

Bom! Depois desta história quase que incrível, que você está a me contar, ficarei muito agradecido por ouvi-la toda, pois, após esta valiosa informação, estarei livre de uma terrível armadilha; assim, já não quero saber nada mais deste tal Twitter!

Esta última frase acima dita por mim, pelo jovem foi assim interpretada: “já não quero saber nada mais desta história”, pois, mal terminando de ouvi-la, dando-se por satisfeito com a história contada, ainda que incompleta ficasse, interrompendo-a de vez, ou antes, a ela não mais voltou, para me dizer:

- Ótimo! Estou também muito contente ao livrá-lo desta entrega! Tenha a bondade, queira acertar comigo!

Acertar o quê? Você não instalou, graças a Deus, este maldito Twitter!

- Sim! Eu sei que não o fiz, disse o jovem, mas, também, sei que à distância, posso fazê-lo, usando a minha máquina e os meus contatos, pois, no conforto do meu lar, me é muito mais fácil instalar o seu Twitter, ou antes, serei obrigado a fazê-lo; a ser assim, para que eu não o faça, o senhor haverá de fazer o seguinte: pague-me R$666,66.

Que absurdo! R$666,66? Isto é roubo ou chantagem, pois só em R$ 66,66 falamos? Disse-lhe eu. Respondeu-me o jovem:

 - Pense o que bem quiser! Pensamentos livres tem o senhor; quanto aos meus, já não os tenho mais sob minhas rédeas... Se me paga os R$666,66, fico feliz; se me paga os R$66,66, malgrado a minha boa intenção, de mau grado, vou recebê-los, ainda que eu tenha bem maior valor, por comissão, a receber. A ser assim, insisto, ou até imploro: queira me entender sem me interrogar; pague-me os R$666,66! Se o fizer, creia em mim, terei grande prejuízo, pois deste valor, não mais que R$ 6,66 terei em mãos, entretanto, conforme já lhe disse, assim ficarei mais feliz, pois para que o senhor tenha lucro, por tão pouco, estou a lhe vender a verdade.

Entreguei ao jovem os R$666,66, mas, antes pensei:

Devo entregar esta importância às mãos deste jovem, que com o filho de Belzebu “fica”, pois, ficaria eu mais horrorizado, se com o tal Twitter ficasse...

 

 

PS - Fico-lhe muito obrigado pela sua visita. Se ler mais, ainda que seja por acaso, caso a menos, não farei da sua atenção.


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